ARTIGO
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DIÁRIO DE UM LESIONADO
DIÁRIO DE UM LESIONADO
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* César Soares.São sete horas da manhã de uma segunda-feira de julho, começava a me arrumar para mais um dia de trabalho no banco. De repente, uma dor insuportável nas costas e ombro direito irradiando por todo o meu braço; é ela chegando, minha velha e conhecida tendinite(inflamação dos tendões). Sou mais um trabalhador portador de LER – lesão por esforço repetitivo, doença ocupacional relacionada ao trabalho.
Com o braço imobilizado não pude ir ao trabalho e fui procurar ajuda médica. Há quase três anos não tinha uma recaída. Os bancários figuram como a categoria profissional mais acometida de doenças ocupacionais, principalmente tendinite, bursite, síndrome do túnel do carpo(inflamação nos tendões do pulso). A jornada excessiva, a pressão por metas abusivas, o assédio moral, são ingredientes desencadeadores das doenças, que se agravam com a chegada posterior da depressão.
Um filme passou na minha cabeça, revivendo todo o tormento que passei cinco anos atrás, quando após uma grave crise inflamatória, fiquei afastado do serviço por dez meses. A minha rotina passou a ser visitas a médicos, clínicas de fisioterapia, ou tratamento alternativo, como acupuntura e hidroterapia. O INSS foi um auxílio, mas que via crucis!, enfrentar aquelas filas, para marcar perícia, outra para receber o resultado, e mais uma para saber porque está demorando tanto sair o tal benefício por acidente de trabalho. Sem contar a desconfiança com que os médicos peritos nos examinam, o que mais constrange os lesionados é o preconceito. A dor é invisível, as outras pessoas não a enxergam, e só sabe quem sente.
A médica da minha empresa foi muito atenciosa, tanto que aproveitei e desabafei, chorei contando o meu histórico e o medo de não poder carregar nos meus braços o meu filho que está prestes a nascer. Disse-lhe que nesta cruzada já escutei cada uma, inclusive que um ex-gerente meu, ironizando o comunicado de que estava doente, disse “ eu também tenho LER, no pênis, de tanto esforço repetitivo nele”. Pasmem, é esta a realidade: o descaso com a saúde do trabalhador e o despreparo humanista da maioria dos gestores. É isso! há gerentes, mas há também vampiros nas corporações, que vivem de sugar sua energia produtiva.
São cinco da tarde e vou encerrar meu expediente de lesionado, já marquei para amanhã exames laboratoriais, ultrassonografia para os ombros e um médico especialista. Dessa vez minha rotina terá novidade, atenderei a recomendação de marcar umas conversas com uma psicóloga e buscarei ajuda de uma nova técnica no combate à lesão.
Concluo esperançoso, de que meus colegas de trabalho entenderão a minha ausência, desfalcando a equipe, e que sairei desta crise e voltarei ao batente. Por falar em crise, eu prefiro a do Senado, ou melhor, a “crise da Ética”, que por sua vez só dói na alma.
Com o braço imobilizado não pude ir ao trabalho e fui procurar ajuda médica. Há quase três anos não tinha uma recaída. Os bancários figuram como a categoria profissional mais acometida de doenças ocupacionais, principalmente tendinite, bursite, síndrome do túnel do carpo(inflamação nos tendões do pulso). A jornada excessiva, a pressão por metas abusivas, o assédio moral, são ingredientes desencadeadores das doenças, que se agravam com a chegada posterior da depressão.
Um filme passou na minha cabeça, revivendo todo o tormento que passei cinco anos atrás, quando após uma grave crise inflamatória, fiquei afastado do serviço por dez meses. A minha rotina passou a ser visitas a médicos, clínicas de fisioterapia, ou tratamento alternativo, como acupuntura e hidroterapia. O INSS foi um auxílio, mas que via crucis!, enfrentar aquelas filas, para marcar perícia, outra para receber o resultado, e mais uma para saber porque está demorando tanto sair o tal benefício por acidente de trabalho. Sem contar a desconfiança com que os médicos peritos nos examinam, o que mais constrange os lesionados é o preconceito. A dor é invisível, as outras pessoas não a enxergam, e só sabe quem sente.
A médica da minha empresa foi muito atenciosa, tanto que aproveitei e desabafei, chorei contando o meu histórico e o medo de não poder carregar nos meus braços o meu filho que está prestes a nascer. Disse-lhe que nesta cruzada já escutei cada uma, inclusive que um ex-gerente meu, ironizando o comunicado de que estava doente, disse “ eu também tenho LER, no pênis, de tanto esforço repetitivo nele”. Pasmem, é esta a realidade: o descaso com a saúde do trabalhador e o despreparo humanista da maioria dos gestores. É isso! há gerentes, mas há também vampiros nas corporações, que vivem de sugar sua energia produtiva.
São cinco da tarde e vou encerrar meu expediente de lesionado, já marquei para amanhã exames laboratoriais, ultrassonografia para os ombros e um médico especialista. Dessa vez minha rotina terá novidade, atenderei a recomendação de marcar umas conversas com uma psicóloga e buscarei ajuda de uma nova técnica no combate à lesão.
Concluo esperançoso, de que meus colegas de trabalho entenderão a minha ausência, desfalcando a equipe, e que sairei desta crise e voltarei ao batente. Por falar em crise, eu prefiro a do Senado, ou melhor, a “crise da Ética”, que por sua vez só dói na alma.
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* César Soares é bancário há 25 anos.
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Artigo Publicado originalmente no Blog de Robert Lobato:
(http://www.jornalpequeno.com.br/blog/RobertLobato/
Artigo Publicado originalmente no Blog de Robert Lobato:
(http://www.jornalpequeno.com.br/blog/RobertLobato/

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