sexta-feira, 16 de outubro de 2009

AG Estado: Banco do Brasil emite
bônus e capta US$ 1,5 bilhão
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O Banco do Brasil aproveitou o apetite do investidor estrangeiro por títulos brasileiros e captou US$ 1,5 bilhão com a emissão de bônus perpétuos, que não têm data de vencimento preestabelecida. A operação vai permitir que a instituição federal reforce o patrimônio, o que poderá dar fôlego extra de até R$ 20 bilhões para novos empréstimos. A demanda pelos papéis surpreendeu e a operação, que originalmente era de US$ 500 milhões, foi triplicada diante da demanda, que atingiu US$ 13 bilhões. O juro para o investidor será de 8,5% ao ano. Comemorada fortemente pela diretoria da instituição, a operação vai melhorar um dos pontos frágeis do banco federal: a capacidade de realizar novos empréstimos no médio prazo. Como a captação feita ontem usa papéis sem data de vencimento (o investidor, porém, pode resgatá-los a partir de outubro de 2020), o dinheiro obtido pode ser somado ao patrimônio do banco.
Essa transação foi autorizada em 2007 pelo Banco Central, mas não havia sido realizada desde então. O Bradesco, por exemplo, já emitiu papéis perpétuos, mas não usou o dinheiro para essa mesma finalidade. Analistas avaliam que, grosso modo, a operação deve aumentar a capacidade do Banco do Brasil de emprestar em até R$ 20 bilhões nas várias modalidades de crédito, como financiamento ao consumidor, segmento imobiliário e empréstimos pessoais.
A conta é pouco precisa porque o valor exato depende de vários indicadores, como o risco das operações do banco. O maior fôlego do BB no crédito ocorre porque vão crescer o patrimônio e o chamado índice de Basileia, que exige que bancos tenham no mínimo R$ 11 de patrimônio para cada R$ 100 emprestados. Quanto maior o capital, maior a capacidade de realizar novos créditos.
É nesse ponto que o Banco do Brasil tinha desvantagem na comparação com os concorrentes para avançar no mercado nos próximos anos. Segundo o vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores do Banco do Brasil, Ivan de Souza Monteiro, o indicador de Basileia do banco estava até ontem em 14,1%, em trajetória de queda para o mínimo exigido de 11%. Agora, o número sobe para próximo de 15%, mais perto dos bancos privados nacionais. Segundo dados do Banco Central, Itaú e Bradesco operam com número perto de 17% e o Santander, antes do lançamento de ações, estava com situação bem mais confortável, com 25,3%. Em julho, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, admitiu que a instituição passou a ter "índices apertados após as aquisições da Nossa Caixa e do Votorantim".
Antes do negócio com o Votorantim, o número estava em 15,3%. Ivan de Souza Monteiro chamou a atenção ontem para a forte demanda pelos bônus do Banco do Brasil. Segundo ele, a intenção inicial era ofertar apenas US$ 500 milhões. Na apresentação aos investidores potenciais, porém, muitos se mostraram interessados e, apenas na Ásia, a demanda somou US$ 7,5 bilhões.

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