sábado, 17 de outubro de 2009

A greve no BNB
.
Geraldo Galindo*
.
Que a direção do BNB utilize instrumentos pouco decentes para encerrar a greve, como mandar gerentes às assembléias, podemos admitir que é uma prerrogativa deles, mas questionável. O pior não é isso. O grave são os colegas se submeterem a tamanho descalabro. Vá lá que se queira "mostrar serviço" aos superiores, mas se dirigir a uma assembléia com o único objetivo de encerrar uma greve legítima de trabalhadores não é louvável.
Um problema que temos na democracia dos trabalhadores é este. Quanto se delibera pela greve, uma parte formada por privilegiados da empresa não se submete e desacata solenemente uma decisão democrática. Quando o contrário, uma assembléia decide pelo fim da greve, todos voltam, mesmo quando são usados métodos condenáveis para o alcance de uma maioria forjada.
É estranho, mas legítimo, que companheiros que não estão na greve (ao contrário, estão trabalhando) decidam pelo fim da paralisação. No caso do BNB é mais lamentável ainda, porque temos uma greve fortíssima no seu 23º dia, e o objetivo do banco, respaldado pelos colegas citados, é justamente gerar um fato político que desmobilize as demais bases, o que não ocorreu. Desde muito que os funcionários do BNB fora de Fortaleza tomaram a decisão de não se basear nas posições vindas do Ceará durante a greve. Fosse assim, a nossa situação ruim seria pior.
Tudo bem que os funcionários queiram agradar os superiores, mas o que eles fizeram foi um gesto de traição aos colegas em luta pelo país afora. Os companheiros poderiam, simplesmente, não comparecer à assembléia ou nela se abster, mas votar contra um movimento que eles não ajudaram a construir, que visa a melhoria das relações de trabalho do conjunto do funcionalismo, é uma dura punhalada.
Em Salvador e na Bahia, o impacto da volta ao trabalho no Ceará foi nula, talvez até tenha fortalecido o movimento. A assembléia aceitar a proposta do banco chega a ser um deboche. São promessas, promessas, e nada mais.
Achei muito boa a carta da AFBNB dirigida ao Dest. Tenho dito nas reuniões que o fato de o banco alegar que não faz concessões por conta das negativas do Dest, é apenas uma versão dos fatos. Nós não temos certeza de que é mesmo o Dest que veta as reivindicações ou se o banco usa esse mecanismo para engabelar os funcionários.
No período de fascismo e corrupção da desastrosa gestão Byron de Queiroz a posição era sempre negar, negar. No atual momento, a chamada mesa permanente de negociação, é só enrolar e enrolar. Então, como não suportamos mais o que aqui na Bahia se chama de "conversa mole", o jeito é manter a greve.
Parabéns aos companheiros da AFBNB em Fortaleza, aos sindicatos da base do Ceará, que construíram em meio a adversidades, uma paralisação de fôlego, agora encerrada pela ação de pessoas com pouco espírito de solidariedade. E parabéns a todos os que continuam firmemente na greve. Não vamos abaixar a cabeça. Estamos ao lado dos bancários da Caixa e do Basa para, irmanados, arrancar das direções dos bancos um proposta defensável.
*Geraldo Galindo é diretor do Sindicato da Bahia e da AFBNB

Nenhum comentário: