sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

ERRO BANCÁRIO ?!?
Flávio Aranha, o maior devedor do mundo
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O oficial de justiça Flávio Aranha, 39 anos, está reivindicando sua entrada no “Guiness Book”, o livro dos recordes. Motivo: ele alega ser o maior devedor pessoa física do mundo. Flávio recebeu esta semana uma cobrança da Caixa Econômica Federal do Maranhão no valor absurdo de R$ 1,360 bilhão. Isso mesmo que você leu: quase um bilhão e meio de reais. Para ser preciso: R$ 1.360.019.488,09.
O funcionário público, que ganha cerca de R$ 3 mil por mês, teria de trabalhar quase 900 mil anos para pagar a dívida. Isso se depositasse todo do salário na conta da CEF. “Mas eu tenho vários empréstimos consignados”, ressalta. Ele diz ser o “maior devedor do mundo” por ter feito uma comparação com a dívida deixada pelo astro pop Michael Jackson, estimada em R$ 400 milhões. “Parece história de ficção científica. Estou valendo três Michael Jackson”, brinca.
O R$ 1,360 bilhão é mais do que o Governo Federal, através da própria Caixa, está investindo em casas próprias no Maranhão (R$ 1 bilhão). Esse é o maior investimento em habitação do país, segundo o próprio presidente Lula em discurso semana passada na cidade. Talvez nem o próprio patrimônio do banco no Maranhão alcance esse valor.
Histórico
A história de Flávio começou na década de 90 quando ele tinha um cheque especial com limite de R$ 6 mil. O oficial de justiça estorou o limite e nunca ligou para o débito. Foi inscrito no Cadin (Cadastro de Inadimplentes do Banco Central), está com o nome sujo em várias instituições e sendo executado pela Justiça Federal. Até agora o banco não encontrou um bem em seu nome.

Esta semana ele foi chamado à agência da CEF na Praça Deodoro. A gerente em exercício, Arlete de Araújo Cunha, mostrou a dívida na tela do computador.

- É R$ 1 milhão – disse Flávio espantado;

- Não, não , não … Você não leu direito. Veja de novo – respondeu a gerente.

De acordo com Flávio, Arlete “ficou com vegonha de dizer o valor da dívida”. Ele pediu um extrato e uma cópia do que via na tela, mas ela negou dizendo tratar-se de documento interno. No entanto, concordou em anotar num pedaço de papel (reprodução abaixo), assinar e carimbar.

O funcionário público não nega o débito. Diz que até tem intenção de pagar, mas esse valor é impossível de quitar. Conta que pretende ajuizar uma ação denominada de repetição do indébito. Nessa caso, a CEF seria obrigada a pagar em dobro o valor cobrado a mais. Flávio vai ficar bilionário. Ele diz que o advogado que quiser pegar a causa pode ficar com 80% de hononários. “Só com os 20% (de indenização) toda minha geração não precisará mais trabalhar”, afirma.

Análise

Essa história só confirma a irresponsabilidade dos bancos maranhenses com seus clientes. Vez por outra juízes locais são criticados e até afastados de suas funções por condenarem essas instituições financeiras ao pagamento de indenizações milionárias.
No início do mês, o desembargador Marcelo Carvalho Silva cobrou o então presidente do Tribunal de Justiça, Raimundo Cutrim, em sessão do pleno, a obrigar o Bradesco a cumprir decisão da Corte no sentido de repassar ao Banco do Brasil todos os valores bloqueados por juízes em decorrência de execuções judiciais. O Bradesco não está nem aí para a decisão.
Agora a pergunta que não quer calar: até quando esses bancos vão continuar afrontando a sociedade e até a própria justiça?

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