quinta-feira, 11 de março de 2010

CASO BANCOOP
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Cooperados entram com representação
no MP para extinguir Bancoop
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Eles alegam que cooperativa não entrega apartamentos que vende.
Bancoop é alvo de investigações do Ministério Público de SP.
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Mutuários da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) entraram nesta quarta-feira (10) com representação no Ministério Público de SP pedindo o afastamento da diretoria da Bancoop e a extinção da cooperativa. Segundo o MP-SP, uma comissão de cooperados se reuniu com o secretário da Promotoria de Patrimônio Público e Social, Saad Mazum, para explicar os prejuízos sofridos em contratos firmados com a Bancoop.

Eles alegam que a cooperativa deixou de concluir obras e entregar os apartamentos que vendeu. Segundo a assessoria do MP, a representação será distribuída por sorteio a um promotor, que então decidirá as medidas judiciais cabíveis. A Bancoop é alvo desde 2007 de investigações do Ministério Público de São Paulo. Segundo o promotor José Carlos Blat, que comanda o caso, há indícios de enriquecimento ilícito de diretores da cooperativa, lavagem de dinheiro e caixa dois.
De acordo com o promotor, a cooperativa deixou de cumprir contratos de construção de moradias ao mesmo tempo em que efetuava saques na boca do caixa de mais de R$ 31 milhões. Parte destes recursos teria sido encaminhada ao PT por meio de empresas de fachada registradas em nome de diretores da Bancoop, segundo Blat.
Quebra de sigilo
Na última sexta-feira (5), Blat pediu a quebra do sigilo bancário do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, e o bloqueio das contas da Bancoop. Segundo o promotor, Vaccari teria participado, quando era presidente da cooperativa, de um esquema de desvio de verbas para um suposto caixa dois do PT.

O que chama a atenção é que na época que ele [Vaccari] era presidente da Bancoop, com dificuldades terríveis para pagar construtoras e cumprir as obras, foi entregue um cheque no valor de R$ 1,5 milhão a uma empresa de segurança"
“O que chama a atenção é que na época que ele [Vaccari] era presidente da Bancoop, com dificuldades terríveis para pagar construtoras e cumprir as obras, foi entregue um cheque no valor de R$ 1,5 milhão a uma empresa de segurança.
Também foram sacados R$ 31 milhões em cheques nominais à própria Bancoop na boca do caixa. A prática do saque é feita para dificultar o controle da conta corrente das empresas. É prática muito primária, mas é conhecida quando se quer ocultar”, disse, no sábado, o promotor ao G1.

Outro lado: Defesa da Bancoop
João
Vaccari nega as irregularidades e afirma que no período em que foi presidente da Bancoop, de 2005 até a semana passada, nunca foi acusado de cometer irregularidades.
“Nunca houve nenhum tipo de acusação contra mim e não respondo a nenhum processo, civil ou criminal”, disse em nota divulgada no último sábado (6). O tesoureiro do PT também diz que no período em que presida a cooperativa, sempre se colocou “à disposição das autoridades, agindo com total transparência, disponibilizando documentos e fazendo os esclarecimentos necessários à Promotoria e aos cooperados”.
A Bancoop, por sua vez, diz que o inquérito criminal instaurado em 2007 para apurar eventuais irregularidades “continua em andamento, sem que, até o presente momento, tenha sido promovida pelo Ministério Público qualquer medida judicial” e diz que o promotor José Carlos Blat buscou a imprensa “com o objetivo de fazer acusações políticas à cooperativa, como a de que ‘a Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002”.

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